Quando adolescente, eu tinha o hábito peculiar e criativo de desenhar rostos de hamsters, especialmente da turma do Hamtaro, em corpos humanos. Esses corpos, geralmente bem torneados ou malhados, carregavam uma estética que misturava o carisma animal com a força e a imponência humana. Esse exercício artístico, embora intuitivo, se conecta com práticas muito antigas das artes, especialmente na mitologia e iconografia de diversas culturas.
Civilizações como a egípcia, grega e hindu exploraram a hibridez de forma similar, retratando figuras como esfinges, centauros e deuses com cabeças de animais e corpos humanos. Esses híbridos simbolizavam tanto a fusão de qualidades humanas e animais quanto a transcendência do que é puramente humano ou animal. Assim, os meus desenhos, embora influenciados pela cultura pop de sua época, ecoavam um gesto artístico ancestral: o de explorar os limites e possibilidades entre o humano e o não humano, criando figuras que são ao mesmo tempo familiares e extraordinárias.

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