Desenhar livremente é como abrir a mente e deixar que as ideias se espalhem pelo papel sem regras ou expectativas. Muitas vezes, a gente começa sem um plano e, quando percebe, está desenhando alguém que nunca viu antes, como se esse rosto simplesmente surgisse entre os traços, guiado pelo fluxo dos pensamentos. Foi exatamente assim comigo. Enquanto rabiscava, minha mente estava a mil, imaginando como minha rotina mudaria dali para frente. Pensava no quanto os próximos dias seriam corridos, nas aulas que viriam, na expectativa de conhecer meus novos alunos e na alegria de voltar a trabalhar em um lugar que amo tanto. A mistura de curiosidade e aquela ansiedade boa tomava conta, porque eu sabia que estava prestes a viver algo completamente diferente do ano passado. No final, quando terminei o desenho, percebi que não fiquei tão satisfeita com o resultado da menina desconhecida. Mas, curiosamente, gostei do processo. Gostei de como cada traço foi surgindo sem pressão, de como a construção do desenho aconteceu de forma leve, quase como um reflexo da minha própria empolgação com tudo o que estava por vir. E, no fim das contas, acho que é isso que faz a arte ser tão incrível: nem sempre o que criamos precisa ser perfeito, às vezes, o que vale mesmo é o que sentimos enquanto desenhamos.

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