As bancas de jornais e revistas sempre tiveram um papel especial na minha vida. Nos anos 90 e 2000, elas eram um verdadeiro portal para um mundo de descobertas. Era ali, entre pilhas de gibis, revistas e jornais, que eu encontrava histórias que me fascinavam e moldavam meu gosto por narrativas visuais. Cada visita à banca era uma aventura – o cheiro do papel impresso, as capas coloridas e a sensação de folhear páginas novas traziam uma alegria única.
Foi através dessas pequenas lojas de cultura que conheci quadrinhos que me inspiraram e, sem perceber, começaram a plantar em mim a vontade de criar minhas próprias histórias. De Turma da Mônica a mangás que chegavam timidamente ao Brasil, passando por revistas sobre música e cultura pop, as bancas foram uma escola informal que alimentou minha criatividade.
Hoje, como quadrinhista, percebo que a importância das bancas nunca diminuiu. Ainda que a era digital tenha mudado a forma como consumimos conteúdo, há algo insubstituível no ato de segurar um quadrinho físico, sentir a textura das páginas e apreciar a arte impressa. Saber que um dia meus próprios zines e gibis podem estar em uma banca, esperando para serem descobertos por alguém como eu fui um dia, é um sonho que carrego comigo.
As bancas continuam sendo pontos de resistência cultural, espaços que conectam leitores, colecionadores e apaixonados por histórias em quadrinhos. E, para mim, elas sempre serão mais do que apenas um lugar de venda – são parte da minha jornada e do meu amor pela arte de contar histórias.
Na foto BANCA DO EWERSON: Localizado em: Praça 9 de Julho

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